[f i l m e s d o c h i c o]

22 de fev de 2007

[próximo capítulo]


You say yes, I say no
You say stop and I say go go go, oh no
You say goodbye and I say hello
Hello hello
I don't know why you say goodbye, I say hello

O filmes do chico chegou ao fim. Depois de quatro anos aqui conversando com vocês sobre cinema, chegou a hora de mudar. Mas é pra logo ali. A partir de hoje, quinta-feira, 22 de fevereiro, este blogue integra o grupo de páginas do Interney Blogs, o primeiro portal profissional de blogues do país. Com isso, o capítulo Blogspot se encerra e o novo endereço do blogue passa a ser esse aqui. Estaria mentindo se eu dissesse a vocês que vou sentir saudades daqui. E estaria mentindo muito mais se dissesse que não vou esperar vocês por lá.

Então, até logo.
Chico.

19 de fev de 2007

[borat]

[em cartaz]

[borat - o segundo melhor repórter do glorioso país casaquistão viaja à américa ]
direção: Larry Charles.

Borat, 2006. É impossível negar que há méritos notáveis em Borat, mas o falso documentário não raramente se afoga no mesmo mar de situações que pretende denunciar. Incomoda um pouco a premeditada falta completa de escrúpulos, que, apesar de ter, talvez, motivações exatamente contrárias, rende episódios misóginos, racistas e de intolerância, que, sob a égide do engraçado, sarcástico, irônico e jocoso, ganha sua justificativa. O vale-tudo a que o filme se propõe abre espaço, já de início, para a idiotização de um povo e de uma cultura. Há cenas geniais, como a do discurso no meio do rodeio ou a do jantar, onde, aí sim, de verdade, Sacha Baron Cohen desconstrói certas lógicas do pensamento do norte-americano médio (e medíocre) colocando esse norte-americano em suas próprias armadilhas, mas há episódios desnecessários e de mau gosto como boa parte das citações sexuais, que de tão assumidamente estúpidas perdem o efeito, ou a entrevista com as feministas. Em certo ponto, os efeitos do filme guardam certas semelhanças deploráveis com os do cinema de Michael Moore, que-deus-o-tenha, uma coisa tipo "o sujo falando do mal lavado" ou "os fins justificam os meios". O humor fácil, que arrebata rapidamente, é um instrumento perfeito para uma crítica ácida, mas faz ressoar preconceitos às avessas.

Com Sacha Baron Cohen, Ken Davitian, Luenell e Pamela Anderson.

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18 de fev de 2007

[antonia]

[em cartaz]

[antonia ]
direção: Tata Amaral.

Antonia, 2007. Numa avaliação inicial, mais envolvida pelo clima da sessão de pré-estréia, poderia até ganhar mais uma estrela, mas, sem o calor do momento, ainda continua um filme muito bom mesmo. A câmera na mão funciona como nos melhores filmes dos Dardenne, de certa forma tentando dar conta das personagens por inteiro. Essa, inclusive, parece ser uma preocupação de Tata Amaral, que dá densidade às quatro amigas cantoras de rap. As moças, todas inexperientes no cinema, se saem admiravelmente bem, com destaque especial para Leilah Moreno, que tem cenas excepcionais. Ao invadir às vidas de quatro mulheres, a diretora faz um recorte de múltiplas dimensões da vida na periferia da cidade grande. Thaíde é um brinde.

Com Negra Li, Leilah Moreno, Cindy, Quelynah, Thaíde.

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[a rainha]

[em cartaz]



[a rainha ]
direção: Stephen Frears.

The Queen, 2006. Competente relato de Stephen Frears, que há tempos nos devia um filme bom de verdade, sobre a semana seguinte à morte da princesa Diana no Palácio de Buckingham. Como era esperado, Helen Mirren está maravilhosa, mas sem picos de explosão como se espera das grandes interpretações (e cuja ausência talvez faça desta uma grande interpretação). O filme tem o tom frio da nobreza britânica e, mais do que crítica à família real, é uma ode à princesa morta. As inserções documentais enriquecem o contexto, mas, de certa forma, enfraquecem a dramaturgia. É um filme bom que sabe se esgueirar sem alardes belos bastidores da intrigas palacianas, mas não é tão grande quanto queriam.

Com Helen Mirren, Michael Sheen, James Cromwell, Sylvia Sims.

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[em cartaz]

[em cartaz]

[o homem duplo ]
direção: Richard Linklater.

A Scanner Darkly, 2006. O texto de Philip K. Dick dá consistência à animação de Linklater, o que faltava em Waking Life (2001), que muitas vezes parecia ter um discurso vazio, embora eu goste do filme. Pode ser assimilado tranqüilamente como entretenimento inteligente, mas as discussões não raramente saltam do subtexto para o primeiro plano. Faz umas reflexões interessantes sobre a paranóia da vigilância, a corrupção intrínseca ao sistema, a dependência química, na mesma medida em que zomba destas reflexões. O trabalho de animação é, mais uma vez, delicioso e os atores estão bem, incluindo mr. Reeves, com destaque para o alucinado Robert Downey Jr., numa de suas melhores passagens pela tela.

Com Keanu Reeves, Robert Downey Jr., Woody Harrelson, Rory Cochrane, Winona Ryder

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14 de fev de 2007

[pecados íntimos]

[em cartaz]


[pecados íntimos ]
direção: Todd Field.

Pecados Íntimos, 2006. Pecados Íntimos teve um efeito curioso para mim. Eu simplesmente adorei a narração em off, que apresenta e dá uma nova dimensão aos dramas das personagens. A opção de Todd Field é, digamos, menos cinematográfica, mas tem um efeito literário muito melhor, gerando uma espécie de segundo autor, como se Tom Perrotta estivesse ali, fazendo suas observações na sua frente. O elenco está afinado, mas, apesar das indicações ao Oscar de Kate Winslet, muito bem, e Jackie Earle Haley, apenas muito esquisito, a melhor interpretação me parece ser, de longe, a de Patrick Wilson, com sua personagem imóvel e que não sabe se relacionar com o mundo que o cerca. Mas, curiosamente, apesar do belo impacto inicial, o filme vai perdendo força com o passar da projeção, culminando numa sobreposição de histórias que ameaça ter semelhanças com o famigerado Crash, de Paul Haggis, mas felizmente somente ameaça.

Com Patrick Wilson, Kate Winsslet, Jennifer Connelly, Jackie Earle Haley, Phyllis Sommerville.

[retratos de família]

[no sofá]



[retratos de família ]
direção: Phil Morrison.

Junebug, 2005. Guarda alguns vícios indies, mas, resumindo e fazendo uma avaliação bastante superficial, me parece que aqui tudo o que foi rascunhado e que não deu certo em Eu, Você e Todos Nós, de Miranda July, funcionou. Temos menos atores, mas um punhado de histórias familiares mais consistentes e um microverso mais definido e, por isso mesmo, mais denso. Não há artifícios intelectualóides chibungas nem peixinhos dourados. Tudo parece muito cruel por ser muito de verdade. E Amy Adams é uma atriz perfeita, que sabe transitar da inocência inicial de sua personagem a um segundo momento em que revela uma visão extremamente complexa do mundo numa cena que é de um rasgo emocional vista poucas vezes no cinema de hoje.

Com Embeth Davidtz, Alessandro Nivola, Scott Wilson, Benjamin McKenzie, Celia Weston,
Amy Adams.

[à procura da felicidade]

[em cartaz]


[à procura da felicidade ]
direção: Gabriele Muccino.

The Pursuit of Happynness, 2006. É o filme de um homem só. Tinha tudo para ser mais um exemplar arrogante de veículo para astros, mas tem duas grandes diferenças. A primeira é a presença de Gabriele Muccino, em sua estréia em Hollywood, um diretor que sabe dominar o melodrama, como fez muitíssimo bem em O Último Beijo (2003). Ele sabe dar o tom exato a um roteiro que poderia ter resultados desastrosos nas mãos de um diretor mais óbvio. A segunda é o próprio astro em questão. Will Smith me parece estar mais elaborado cada vez que entra em cena. Na verdade, eu o admiro como ator desde sua performance em Seis Graus de Separação (1993). Sabe administrar sua carreira intercalando blockbusters que lhe rendem milhões e filmes que lhe dão credibilidade. Sua interpretação aqui é simples, sem afetações, séria. Um belo momento de um ator que busca por respeito. E merece.

Com Will Smith, Jaden Christopher Smith, Thandie Newton, Brian Howe, James Karen, Dan Castellaneta.

6 de fev de 2007

[alfred 2006]



Os indicados para o Alfred 2006, o prêmio de melhores do ano no cinema segundo a Liga dos Blogues Cinematográficos, já estão online, no blogue da Liga. As cédulas para que os integrantes votem nos seus favoritos foram enviadas. Os votos serão recebidos até o dia 14 de fevereiro. Na quinta, dia 15, a partir das 21h, serão divulgados os vencedores também no blogue da liga.

5 de fev de 2007

[o último rei da escócia]

[em cartaz]


[o último rei da escócia ]
direção: Kevin Macdonald.

The Last King of Scotland, 2006. O que mais me impressionou em O Último Rei da Escócia é que a interpretação de James McAvoy, o adorável fauno de As Crônicas de Nárnia: o Leão, o Guarda-Roupas e a Feiticeira (2005), única coisa que presta no filme por sinal, rivaliza com a festejada e premiada performance de Forest Whitaker, que deve ganhar o Oscar pela encarnação do ditador Idi Amin. McAvoy, a meu ver, é o verdadeiro protagonista do filme. Seu tipo irresponsável ganhou ótima composição. Já
Whitaker, um grande ator em momento generoso, é um coadjuvante categoria um, mais ou menos isso. A dupla, em seus encontros ou nas cenas solo, são o que há de melhor no filme, exemplar básico de cinema histórico. As inserções sonoras são um diferencial interessante, mas apenas deixam a forma menos óbvia.

Com James McAvoy, Forest Whitaker, Gillian Anderson, Kerry Washington.

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[apocalyto]

[em cartaz]


[apocalypto ]
direção: Mel Gibson.

Apocalypto, 2006. Mel Gibson é aquela mala pesadae um cara que não merece perdão pela sua estupidez, mas ele tem seu talento. O problema é que esse talento é hiperdimensionado seja para o bem, seja para o mal. Como diretor, seu maior mérito ainda é Coração Valente (1995), que é um bom filme, exemplar de cinema masculino bem realizado, e seu maior demérito, A Paixão de Cristo (2004), exercício de arrogância quase racista e afeito à violência extrema como se ela significasse fazer um cinema realista. É a mesma lógica de filmes imbecis como a trilogia Jogos Mortais só que com o manto de Jesus usado como escudo protetor. Algo como cale-se e aceite a palavra de Deus ou serás um infiel.

Em Apocalypto, Gibson recupera a virilidade de seu grande acerto, mas a mescla com a brutalidade gratuita de seu grande pecado. A caça à anta é divertida e bem filmada até o bicho ir pro espeto e você se tocar de que só é muito macho quem tem coragem de mostrar uma cena daquelas. Ou pelo menos é assim que acha o comandante dessa história. Mas há algumas coisas que precisam ser admirado no diretor: ele sabe se cercar de bons auxiliares (em Apocalypto, a fotografia a-bruxa-de-blairiana funciona muito bem, a montagem estamos-em-uma-grande-corrida igualmente e a composição sonora - a trilha não, que é ruim - é perfeita). Além disso, bancar um filme falado numa língua morta (?), com grande investimento em cenários, viagens e efeitos visuais não é para qualquer um. Mas se utilizar da desse material para realizar um compêndio de violência, escatologia e uma tosquíssima mensagem sobre proteger sua família - seria um trocadilho conceitual com tudo o que Mel acredita? - é validar o cinema como um campo de batalha sem qualquer nuance, estúpido como seu diretor, que é uma pessoa ruim, mas sabe fazer filme musculosos como ninguém. Ainda bem, basta um.

Com Rudy Youngblood, Dalia Hernandez, Jonathan Brewer, Morris Birdyellowhead, Carlos Emilios Baez.

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4 de fev de 2007

[mais estranho que a ficção]

[em cartaz]



[mais estranho que a ficção ]
direção: Marc Foster.

Stranger than Fiction, 2006. Sei que é feio falar isso, mas como um filme que é uma cópia descarada de todo o material criado por Charlie Kaufman, sobretudo em Adaptação (Spike Jonze, 2002) concorre a melhor roteiro original no prêmio do Writers Guild of America? Talvez seja o tom melancólico que o diretor Marc Foster e sua trilha sonora impõem ao longa, querendo nos cooptar para aquele universo. Talvez seja o carisma tosco do Will Ferrell tentando acreditar no texto ou a gracinha da Maggie Gyllenhaal - de longe a melhor personagem porque é a menos afetada e porque é a menos criativa - ou o Dustin Hoffman, reciclando seu papel de maluquinho tipo naquele filme horrível Huckabees que ganhou seus fãs ou talvez seja o esforço sobre-humano da Emma Thompson em parecer ridícula num papel chatíssimo e pouco convincente. Dito isso, sobra a vontade. Eu até tive vontade de gostar um pouquinho do filme - e até gostei um pouquinho. Mas foi só.

Com Will Ferrell, Maggie Gyllenhaal, Dustin Hoffman, Emma Thompson, Queen Latifah.

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[diamante de sangue]

[em cartaz]



[diamante de sangue ]
direção: Edward Zwick.

Blood Diamond, 2006. Confesso que estava animado com o filme, com seu protagonista de moral falha, interpretado com um sarcasmo Bogartiano pelo Leonardo Di Caprio. Parecia um filme não apenas divertido - afinal, é um filme de aventura com contexto atual em moldes antigos -, mas de certa forma com alguma preocupações ingênuas que temos o hábito de condenar pelo bom mocismo, mas que devem ser preservadas. Era, até certo ponto da projeção, o melhor filme de Edward Zwick. Comecei a pensar que ele havia evoluído, largado o dramalhão em troca das causas sociais (elas são chatas, mas nem tanto quanto). Então, o filme que já estava quase ganhando suas três estrelinhas ganha contornos de revolução espeiritual, quando o protagonista, no que deveria ser o clímax de seus atos de canalhice, fica bonzinho. Mas tão bonzinho que põe quase tudo a perder. Depois desse ato de bondade (não deixa de ser uma revolução ficar sem protagonista nos dez minutos finais de um filme praticamente escorado em seu astro), Zwick mostra como é um diretor de poucas idéias e emula o final de O Jardineiro Fiel (Fernando Meirelles, 2005) para dizer tchau em tom grandioso para o espectador.

Com Leonardo Di Caprio, Djimon Hounsou, Jennifer Connelly, Michael Sheen.

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